Vacinação contra febre aftosa: de olho no mix agrovet

Tempo de Leitura: 5 minutos
Vacinação contra febre aftosa e as oportunidades com o mix agrovet

Sumário

A vacinação contra febre aftosa sempre foi um dos principais marcos do calendário sanitário brasileiro e, por muitos anos, funcionou como um dos maiores impulsionadores de fluxo no varejo agro. No entanto, esse cenário passou por uma transformação importante.

Desde o ano passado, o Brasil conquistou o status de país livre de febre aftosa sem vacinação, resultado de mais de 60 anos de trabalho contínuo envolvendo produtores, órgãos de defesa sanitária e o próprio varejo. 

Esse reconhecimento não apenas fortaleceu a imagem da pecuária nacional no mercado internacional, como também marcou uma nova fase para o setor. Na prática, isso significa que a vacinação contra a febre aftosa obrigatória vem sendo retirada de forma gradual em diversas regiões. 

Mas é fundamental entender: essa mudança não representa o fim dos cuidados e muito menos o fim das oportunidades no ponto de venda. E vamos te explicar mais sobre no artigo de hoje. Siga a leitura! 

O que você precisa saber  

Antes de falarmos sobre a vacinação contra a febre aftosa, precisamos entender um pouco mais sobre a doença viral altamente contagiosa que afeta principalmente animais de produção, como bovinos, suínos, ovinos e caprinos.

Ela é uma enfermidade de notificação obrigatória, com grande impacto econômico, especialmente para países com forte presença na pecuária, como o Brasil. 

O vírus responsável pertence à família Picornaviridae e tem diferentes sorotipos. No país, historicamente, já foram registrados os tipos O, A e C, sendo que este último não é detectado no mundo desde 2004.  

De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), embora a doença raramente seja fatal em animais adultos, pode causar mortalidade em animais jovens e comprometer significativamente a produtividade. 

A transmissão acontece com facilidade, tanto de forma direta, pelo contato entre animais e secreções, quanto indireta, por meio de objetos, equipamentos, água, alimentos e até pelo trânsito de pessoas.  

Entre os sinais clínicos mais comuns estão febre, apatia, perda de apetite e lesões características, como vesículas e feridas na boca, língua, focinho, cascos e tetos.  

Vacinação contra febre aftosa: uma mudança de foco

Agora, em relação à vacinação contra a febre aftosa que comumente ocorria a partir de maio em vários estados brasileiros, o Plano Estratégico 2017–2026 foi estruturado com o objetivo de retirar gradualmente a vacinação e elevar o país ao status de livre da doença sem vacinação, alinhando-se às exigências dos mercados internacionais mais rigorosos.  

Para isso, o plano previu uma transição por etapas, com fortalecimento da vigilância sanitária, melhoria nos sistemas de controle e rastreabilidade, capacitação técnica e maior integração entre produtores, estados e órgãos de defesa agropecuária. 

Se antes o gatilho principal era a obrigatoriedade da vacinação contra febre aftosa, agora o protagonismo passa para a vigilância sanitária, a prevenção e o manejo eficiente do rebanho. O que acontece, na verdade, é uma mudança de foco. 

E isso mantém, e até amplia, o potencial de vendas do varejo de agroveterinário. Porque o produtor rural continua atento, continua buscando orientação e investindo em saúde animal.  

Em muitos casos, esse olhar se torna ainda mais criterioso, justamente porque a responsabilidade pelo controle passa a depender ainda mais de boas práticas dentro da propriedade. 

Além disso, vale reforçar que ainda podem existir ações pontuais de vacinação, estratégias emergenciais ou definições específicas de acordo com cada estado e cenário sanitário.  

Ou seja, a vacinação contra febre aftosa ainda faz parte da realidade do campo, mesmo que de forma diferente do modelo tradicional. 

Para o varejo, isso exige uma adaptação estratégica. Mais do que vender a vacina, é preciso assumir o papel de parceiro do produtor, oferecendo soluções completas que envolvam nutrição, prevenção, higiene e manejo. 

Mix agroveterinário

Aqui vai um ponto direto: quem entra na loja por causa da vacinação contra febre aftosa não deveria sair apenas com a vacina. Mas, para isso acontecer, não basta oferecer produtos, mas sim construir contexto para o consumo. 

O primeiro passo é entender que a vacinação abre espaço para uma conversa maior sobre saúde animal. Ao invés de uma venda pontual, o ideal é conduzir o cliente para uma visão mais completa do cuidado com o rebanho. 

Na prática, isso significa integrar o mix agrovet de forma inteligente. Produtos como vermífugos, antiparasitários e suplementos passam a fazer muito mais sentido quando apresentados como continuidade da proteção iniciada com a vacina.  

O mesmo vale para itens de nutrição, como rações e minerais, que entram na conversa como aliados no desempenho e na recuperação dos animais. 

Outro ponto que merece atenção, e que ainda é pouco explorado, é o cuidado com o ambiente. A higienização de instalações, o uso de desinfetantes e o manejo adequado são temas que ganham relevância nesse período e podem ser trabalhados dentro da loja.

E lembre-se que o produtor rural não cuida apenas do rebanho. Ele também tem animais de estimação. Trazer a linha pet para essa conversa é uma forma inteligente de ampliar o mix e gerar vendas adicionais, muitas vezes sem concorrência direta naquele momento. 

Então, aqui vai uma sugestão de mix agrovet campeão para trabalhar na temporada:  

O que realmente faz o cliente comprar mais 

Outro ponto importante é a forma como os produtos são apresentados na loja. Durante a campanha de vacinação contra febre aftosa, o armazém precisa facilitar a vida do cliente. Isso significa reduzir o esforço de decisão. 

Uma boa estratégia é agrupar produtos relacionados, criando uma lógica visual que faça sentido. Quando o cliente enxerga soluções completas, ele tende a comprar mais. 

Kits prontos também funcionam muito bem nesse contexto. Eles simplificam a escolha e aumentam o ticket médio sem que o cliente perceba esforço adicional. 

Além disso, a comunicação no ponto de venda precisa ir além do preço. Frases que reforcem o cuidado, a prevenção e o desempenho ajudam a conduzir a decisão de compra de forma mais emocional e racional ao mesmo tempo. 

Se prepare e venda mais! 

A vacinação contra febre aftosa é, sem dúvida, um compromisso do produtor. Mas, para o varejo, ela representa muito mais do que isso.  

Quando a loja entende esse contexto e se prepara de forma estratégica, ela deixa de vender apenas produtos e passa a oferecer soluções. E é exatamente isso que o cliente busca. 

No fim das contas, quem aproveita melhor o momento não é quem tem mais produtos é quem consegue conectar necessidade com oportunidade, se preparando para as vendas muito além da concorrência. E, no agro, essa conexão faz toda a diferença. 

Até a próxima!

  • Conteúdo desenvolvido pela Universidade Martins do Varejo – UMV.

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