Oferecer uma conexão sem fio à internet virou item quase obrigatório para bares, restaurantes, aeroportos e até praças e parques. Mas o mimo acabou trazendo à tona um outro problema da vida digital: a curta vida das baterias de celulares e de tablets. Afinal, do que adianta ter conexão à web se o aparelho “morre” na hora que o cliente mais precisa? Para resolver isso, um novo agrado está sendo adicionado à lista de alguns estabelecimentos: carregadores de bateria.

Seja no formato de equipamentos portáteis para uso nas mesas, totens onde o cliente deixa o aparelho, ou mesmo tomadas especialmente sinalizadas, eles estão disponíveis em food trucks ­ os trailers de comida de rua que têm feito sucesso em São Paulo ­, shoppings e até restaurantes tradicionais da cidade como o Baby Beef Rubaiyat e o Família Mancini.

O aluguel de um totem com capacidade para seis aparelhos pode custar na faixa de R$ 3 mil para o estabelecimento. Já entre os carregadores, os valores dependem do tipo do aparelho oferecido. Para pagar a conta, alguns locais têm cobrado pelo uso, enquanto outros estão usando o modelo de publicidade, ocupando o espaço nos totens ou nos carregadores com anúncios.

Oferecer o serviço é uma forma de fazer o consumidor passar mais tempo no estabelecimento e, consequentemente, gastar mais dinheiro. E também há a intenção de passar uma imagem positiva, de um local que pensa no conforto do cliente, disse Thiago Mancini, sócio­diretor do grupo Mancini, dono de cinco restaurantes no centro de São Paulo. Atualmente cada restaurante do grupo tem cerca de 20 aparelhos portáteis. Eles são fornecidos pela Carrega+ e têm publicidade da Vivo. De acordo com Mancini, de 10% a 15% dos clientes pedem o equipamento. “Sempre tivemos pedidos de pessoas querendo carregar o celular e a gente colocava no caixa, ou na cozinha. Com os carregadores conseguimos organizar melhor isso”, disse.

Em quase um ano de uso dos carregadores, Mancini disse não ter tido nenhum problema de furto. Ele também afirma não ter sentido um incremento significativo na conta de luz por ter que carregar tantos aparelhos. “A gente nem contabiliza isso.”

Segundo Gabriela Haddad, sócia da ATG Import, que representa no Brasil a inglesa ChargeBox, no caso de um totem de recarga, o consumo equivale ao de uma lâmpada de 50 watts por mês. “Pouca gente deixa mais de 30 minutos”, disse.

De acordo com Gabriela, algumas empresas estão percebendo que, sem o celular, o cliente presta atenção em outras coisas ao longo desse período. Em sua avaliação, a crise econômica não seria um impeditivo para investimentos. “Nessas horas as empresas cortam custo, mas também pensam em tratar melhor o cliente e na experiência de compra oferecida”, disse.

De acordo com Gabriela, 150 máquinas estão instaladas em todo o Brasil. A companhia também tem feito ações especiais em shows e eventos. A expectativa é dobrar, ou até triplicar a base instalada até o fim do ano. Na Carrega+, que atualmente tem carregadores em 70 restaurantes, a receita pode dobrar em 2015, passando de R$ 1 milhão.

Segundo Junior Valverde, diretor comercial da companhia, a expansão para mais Estados será um dos grandes responsáveis por esse avanço. Um potencial cliente para as duas companhias é o shopping West Plaza, administrado pela Aliansce Shopping Centers, na zona oeste da capital.

Desde março do ano passado, o shopping tem seis pontos de recarga ­ cabos com conectores para diferentes modelos de celulares e algumas portas USB ­ em pontos estratégicos e estuda adotar também os totens. “Queremos dar opção aos clientes”, disse Betina Quinteiro, superintendente do West Plaza. Segundo ela, a iniciativa tem ajudado a movimentar áreas do shopping que normalmente ficavam vazias, como um ‘lounge’ no piso térreo. “O fluxo é maior na hora do almoço e nos fins de semana, mas você vê gente o tempo todo”, disse. Os resultados do West Plaza estão sendo avaliados pela Aliansce e a ideia é adotar os carregadores nos outros shoppings da rede.

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