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Desafios e as vantagens da gestão familiar

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Segundo dados do IBGE, 90% das empresas brasileiras são de gestão familiar, de um total que hoje já conta com mais de 19 milhões de organizações. Essa estatística conta desde negócios pequenos, como varejos de bairro, até grandes corporações, como o grupo Pão de Açúcar. O modelo é responsável por empregar 75% da força de trabalho no Brasil e contribui com 65% do nosso produto interno bruto.

 

De tão popular, esse tipo de organização pode até ser identificada como um modelo gerencial, já que possui algumas características bem particulares, que apresentam grandes oportunidades e também alguns desafios.. Quer saber mais sobre gestão familiar? Então continue com a gente na leitura!

quatro pessoas de mãos dadas, trabalhando em equipe

Gestão familiar: desafios e vantagens

De maneira bem simples, podemos definir a gestão familiar como uma empresa administrada por dois ou mais membros da mesma família, normalmente mantida ao longo de gerações. O mesmo vale para o patrimônio, que deve ser da família, ainda que parcialmente.

Em muitos casos, os laços de sangue também estão presentes em todo o quadro de funcionários, incluindo as atividades operacionais – com ou sem a participação de colaboradores externos.

Apesar da popularidade e da dimensão das empresas de gestão familiar no mercado de negócios brasileiro, é preciso um olhar mais dedicado para compreender se realmente vale a pena apostar nesse modelo gerencial.

Versatilidade e resistência

A preocupação com a sobrevivência do negócio faz com que empresas de gestão familiar sejam mais versáteis, com tendência a se expandir para setores além do seu core business. Estudos mostram que cerca de 46% das empresas familiares são altamente diversificadas, como a LG, no setor de tecnologia, e a Cargill, no agronegócio.

Essa prática é quase uma tática de sobrevivência para momentos de crise. Com recessões cada vez mais frequentes, a diversificação garante que algumas áreas prosperem e gerem rendimentos enquanto outras sofrem com a sazonalidade do mercado.

A lógica é simples: apostar em diferentes setores gera mais resultados positivos a longo prazo. Outras empresas que apostam em uma única área ficam mais vulneráveis às crises, que são cíclicas. Nessas idas e vindas nem todos sobrevivem.

Controle orçamentário

casal segurando um cofre de porquinho

Não é à toa que nos Estados Unidos a gestão familiar cresceu durante a crise de 2008.

A concentração do patrimônio no núcleo familiar faz com que a gestão financeira seja mais rígida e os gastos mais moderados, já que o dinheiro da empresa é visto como o dinheiro da família. Por essa lógica, os prejuízos também são de todos, e isso ninguém quer.

É fácil observar, por exemplo, que empresas de gestão familiar dificilmente investem em sedes enormes ou coisas do tipo. A estrutura de gastos mais enxuta contribui para a manutenção de empregos mesmo em períodos de instabilidade, pois a proximidade entre os colaboradores e a administração faz com essa relação seja priorizada sobre outros fatores.

Esse rigor também é consequência da proximidade entre o dono da empresa e os responsáveis pela gestão executiva – inclusive, às vezes o dono age como parte fundamental e ativa nessa função. O administrador que possui um interesse pessoal em manter o patrimônio vai pensar duas vezes antes de tomar decisões que ameacem a saúde financeira do negócio.

É preciso ousar

Tanta cautela também pode ter suas consequências negativas, já que correr riscos é necessário para quem deseja crescer.

Muitas vezes a empresa de família não cria estratégias de acordo com o que o mercado aponta sendo orientada por outros princípios e fatores. Às vezes uma reestruturação é necessária, mas não é implementada para não prejudicar as pessoas envolvidas ou por fidelidade a uma visão de negócio muitas vezes ultrapassada, mas com grande peso emocional para os envolvidos.

Quem é que vai correr o risco de destruir a empresa que aquele patriarca amado idealizou? Quem vai ter coragem de deixar a tradição pra trás?

Essa resistência a mudanças prejudica também as operações cotidianas que poderiam se beneficiar de sistemas de automação e ferramentas modernas de gestão. A dificuldade de muitos líderes em delegar tarefas também pode prejudicar o fluxo de trabalho e fazer a empresa menos eficiente.

Tudo em família

A proximidade de todos os envolvidos em uma empresa de gestão familiar pode ser responsável por alguns conflitos pessoais que, em outras empresas, acontecem com menor frequência ou nem chegam a se realizar.

Desentendimentos são comuns em qualquer negócio, mas são mais prováveis quando há convivência além do ambiente de trabalho e a interferência de emoções nem sempre relacionadas ao negócio.

Esses conflitos podem ser a respeito de questões sobre os rumos da empresa e prioridades de gestão, e também envolver a realidade dos colaboradores, como distribuição de cargos e remuneração. O desafio é entender como separar esses dois lados – profissional e emocional, entendendo que empresa é uma coisa, família é outra.

Harmonizando a gestão familiar

Para contornar essas tensões, o melhor é deixar o trabalho cada vez mais formalizado. Isso significa ter as funções de cada um bem estabelecidas, principalmente no que diz respeito à hierarquia, bem como as competências necessárias para o exercício de cada cargo.

Deve ser redigido um planejamento apresentado a todos para regular o dia a dia dentro da empresa, orientando a tomada de decisões a partir de estratégias gerenciais. Além disso, o ideal é que sejam estabelecidos alguns indicadores de performance para avaliar o desempenho de todos e corrigir posturas prejudiciais.

A boa comunicação é o grande segredo para administrar as tensões da gestão familiar. É importante que o contato seja sempre transparente, com métodos para formalizar informações e buscar consenso quando houver dissidências de opinião.

pessoa fazendo planejamento em um caderno

A questão sucessória

Outro grande drama que toda gestão familiar enfrenta é a questão da sucessão. O IBGE mostra que no Brasil cerca de 70% dos negócios encerram as atividades com a morte de seu fundador.

Isso acontece por uma série de fatores, como a falta de planejamento, principalmente jurídico, e falta de capacitação e/ou interesse por parte de quem assume a gestão familiar. Embora seja um processo muitas vezes traumático, já que mistura questões afetivas como morte ou divórcio, a sucessão deve ser bem planejada caso haja desejo de continuidade.

Para que tudo corra bem, especialistas recomendam antes de qualquer coisa um planejamento sistematizado e formalizado. Esse processo deve começar o quanto antes e envolver, inclusive, um plano de transição.

O sucessor pode assumir e dar continuidade ao modelo em vigor, reestruturar a empresa ou até abrir mão do negócio, deixando a gestão a cargo de especialistas que devem seguir o desejo dos proprietários, mas também as estratégias mercadológicas adequadas para o momento.

Se você gostou dessas dicas, não deixe de conferir nosso guia do pequeno negócio para sobreviver no mercado!

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