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Mão interrompendo queda de fileira de dominós de madeira.

Como o grande varejo lida com crises?

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Crise é, muitas vezes, sinônimo de reinvenção. É um processo difícil, mas o grande varejo, quando enfrenta essa situação, sempre traz inovações e maneiras de se reerguer. É necessário, não há outra saída.

 

Um ótimo exemplo disso é o impacto da Grande Recessão americana em 1929. Na década de 30, o varejo brasileiro se reinventou com a consolidação das Lojas Americanas, que passava a apresentar uma grande variedade de produtos a preços mais baixos. É o nascimento do grande varejo, o varejo “tem tudo”, o varejo popular.

É sempre bom pensar e pesquisar esses assuntos em momentos de crise, porque você passa a entender como o comércio se adaptou aos novos tempos ao passar por circunstâncias complicadas no passado. Além de conseguir projetar o que pode acontecer em um futuro próximo.

E hoje? Como o grande varejo vai se reinventar depois da crise da COVID-19? Só tem um jeito de saber: olhando pra trás.

Mão interrompendo queda de fileira de dominós de madeira

Como o grande varejo se reinventou na crise de 2008

O Brasil não foi tão atingido assim na crise de 2008, como outros países. Mas alguns hábitos foram bem consolidados nessa época e permanecem até hoje.

A maior tendência dessa época (mais de 10 anos atrás) foi a abertura para o e-commerce. Em 2008, o setor cresceu 30% em relação a 2007, 2 anos depois, em 2010, esse crescimento chegou a 40%, mostrando que o segmento estava em franca expansão.

Já o varejo físico, apesar de não apresentar recuo, cresceu menos em 2009 – 5,9%. Pra você ter uma ideia, em 2008 o crescimento foi de 13,9%.

E desde lá o e-commerce não parou de crescer. Nessa época, os marketplaces como Submarino, Mercado Livre e Americanas ainda estavam começando, mas foi esse crescimento desenfreado que permitiu que, hoje, pudéssemos viver na era da democratização dessas plataformas. Qualquer comerciante – até MEIs – conseguem anunciar e vender nessas grandes redes.

Resumindo, foi isso que aconteceu na crise de 2008: o varejo em geral começou a recuar, mas o e-commerce continuou crescendo.

A crise de 2012-2016 e a reação do grande varejo

Em 2016, o cenário foi complicado para o varejo: teve sua maior queda em 16 anos.

Mas, isso não significa que o grande varejo cresceu menos do que se esperava. Na verdade, ele encolheu em relação ao ano anterior. O recuo foi de cerca de 6%, comparado a 2015, sendo que nesse mesmo ano a queda já tinha sido grande, cerca de 4% em relação a 2014.

Capas de revista Veja, Exame e do jornal O Globo sobre a crise de 16

Nesse período a reação foi mais austera, já que o país vinha sofrendo grandes problemas políticos e econômicos, que inclusive resultaram no impeachment da presidente Dilma. E foi nessa mesma época que novas formas de gestão e organização ganharam destaque entre os varejistas.

Se na crise passada o varejo “só” não cresceu tanto, grandes mudanças no jeito de trabalhar não foram tão necessárias. Mas ali pra 2012-2013, foi necessário um novo olhar para a maneira organizacional dos negócios, valorizando principalmente:

  • Prevenção de rupturas: lembrando que ruptura é toda venda perdida porque não havia estoque do produto disponível. Grandes esforços foram feitos para reduzir prejuízos com rupturas de gôndolas, que somavam cerca de 8% de perda ao ano para varejistas e até 20% nas indústrias;
  • Minimizar perdas: tudo o que constava no estoque em um inventário e “sumiu” no outro é perda. Perdas, naturalmente, causam rupturas, aumentando ainda mais o problema. Foi identificado que cerca de 2% do faturamento ficava nas perdas.
  • Custo operacional: o balcão foi substituído de vez pelo autosserviço em vários segmentos. Grandes lojas de departamentos começaram a vender ferramentas, por exemplo, e se popularizaram ainda mais. A redução do custo operacional garantiu a sobrevivência de redes do grande varejo, que cortaram gastos com pessoal, equipamentos, etc. Tudo isso influenciava nos preços, e os pequenos que não conseguiram reduzi-los, infelizmente sofreram mais.
  • Custo com pessoal: o processo de contratação e treinamento avançou muito, reduzindo custos com retrabalho e aumentando a produtividade.

O grande varejo conseguiu lidar com a crise de 2012-2016 por meio de uma organização mais efetiva e com redução de gastos.

Mas esse período conturbado, que vem se estendendo até hoje, trouxe outro problema:

A crise da greve dos caminhoneiros

A “mini crise” da greve dos caminhoneiros teve um impacto mais reduzido que todas essas outras, mas ainda pegou muita gente desprevenida no grande varejo. Os principais impactos foram sentidos até alguns meses depois da greve, o que fez o varejo recuar alguns pontos percentuais do estimado para o faturamento anual.

Caminhões estacionados à beira da estrada, em posto, e estrada vazia.

Nessa época, porém, o que mais saltou aos olhos foi a necessidade de fazer controle de estoque. Muita gente, inclusive marcas gigantes, não sabiam o que iam vender no dia seguinte, porque não havia abastecimento.

A lição aprendida foi que sem estoque controlado, uma loja pode fechar de uma semana pra outra. Mas, se você me acompanha há algum tempo, já sabe que essa é uma tecla que eu bato muito aqui no Falamart, veja os textos sobre isso que tenho aqui:

Como o grande varejo vai escapar da crise do novo coronavírus?

Com tudo isso que a gente viu, já dá pra dizer com certeza como vai ser o cenário do grande varejo depois da pandemia do novo coronavírus?

Bem, na verdade não. Todos esses estudos das últimas crises que a gente analisou foram feitos depois que elas passaram. Aliás, bem depois. Nós estamos vivendo a crise do coronavírus agora, então é mais difícil dizer o que vai acontecer.

Pessoa com roupa de proteção branca, luvas azuis e máscara amarela segura placa com os dizeres “Coronavírus”.

Fala, Mart!
Ainda assim, é possível imaginar e presumir com os dados que temos. Sabemos que há uma consolidação da venda em marketplaces: antes da crise começar, cerca de 37% de todo o comércio eletrônico era feito nessas grandes plataformas.

Também sabemos que, no pico da crise do coronavírus, o delivery de supermercados chegou a subir 400% no Rio de Janeiro.

E, ainda, no cenário dos e-commerces o faturamento das lojas virtuais já representa cerca de 7% de todo o varejo, segundo dados de 2019. E estamos vendo que as compras nos e-commerces, antes muito restrita a itens como eletrônicos e vestuário, está indo para outros setores por conta da pandemia. Um exemplo: produtos de farmácia registraram alta de 124% nos primeiros dias de março.

É possível prever o futuro do grande varejo pós-pandemia?

Tudo aponta para que, no futuro, muito vai ser “tomado” pelo comércio virtual. Minha aposta é que o grande varejo vai fazer investimentos nesse caminho, e o pequeno precisa acompanhar para não ficar de fora.

Pense comigo: muitos supermercados que já estão com sistema para compras online não vão fechar suas lojas físicas. Eles vão vender nos dois canais ao mesmo tempo.

E é esse o convite do texto de hoje: fazer você pensar e perceber que o que o grande varejo faz é interessante o pequeno imitar. Eles vão lucrar duas vezes. E você, aí no bairro, pode ter problemas com vendas por conta dessa mudança no hábito dos consumidores.

No futuro, o consumidor vai estar mais atento às plataformas digitais. É assim que o grande varejo vai responder à crise. É hora de começar a considerar maneiras de, você mesmo, oferecer o mesmo serviço.

Tem dúvidas de como começar? O Falamart te dá uma mão. Te recomendo dar uma checada nesse texto sobre prospecção de clientes na pandemia. Lá eu começo a abordar o tema da transformação digital.

Depois, veja nossa série especial sobre a COVID-19. Tem muito artigo interessante, e com certeza todos vão ser muito úteis pra você. É só seguir o link.

Abraço e até a próxima.