As temperaturas mais baixas registradas em Belo Horizonte há duas semanas pegaram muita gente de surpresa. A temporada de frio, que chegou um pouco mais cedo este ano, fez com que os negócios no varejo se movimentassem, garantindo incremento de até 40% nas vendas de produtos como cobertores, casacos, vinhos, caldos e outros. A expectativa dos lojistas é de que as vendas permaneçam aquecidas pelo menos até meados de junho, para salvar o comércio varejista, que enfrenta desaceleração nas vendas em função da conjuntura de crédito mais caro e restrito, além de inflação e juros mais altos.

No restaurante AA Wine Experience, o consumo de vinhos aumentou cerca de 20% na última semana. Segundo o proprietário da casa, Luís Eugênio Torres, o frio favorece o consumo da bebida, uma vez que ele é servido a uma temperatura média de 16°C, enquanto a cerveja é servida próximo de 0°C. “Mineiro é muito friorento e adora um lugar fechado, quando as temperaturas baixam. No calor, temos que competir com a cerveja, e o vinho é mais reconfortante no frio. Enquanto vendo entre 140 e 150 garrafas de vinho num dia quente, nos dias frios esse número chega a 180 ou 190 garrafas”, explica. Ainda de acordo com Torres, no restaurante Amadeus, o consumo de vinho e massas aumenta cerca de 40%, incrementando, na mesma proporção, o faturamento da casa.

A servidora pública Creusa Vieira também foi pega de surpresa e precisou correr para as lojas para renovar o guarda-roupa do filho, de 18 anos. “O frio chegou depressa este ano, e não estávamos preparados. Meu filho cresceu e as calças estão todas curtas. Imagino que vá gastar pelo menos R$ 300 para comprar roupas novas para ele”, afirma. A ideia para economizar e não ultrapassar a margem do orçamento, segundo Creusa, além de pesquisar, é sempre procurar produtos bons, em lojas que estejam em promoção. “Apesar de o frio ter chegado mais cedo, eu noto que as lojas também estão fazendo as liquidações mais cedo, e isso ajuda tanto o lojista quanto o consumidor. Se os preços estiverem altos, ninguém vai comprar, ainda mais com a economia do jeito que está”, finalizou.

Gerente da loja Lealtex, especializada em roupas de cama, Nelson Moreira, afirma que a última semana foi de recuperação nas vendas. Segundo ele, a alta de 10% na procura e de 15% no valor médio das compras amenizaram a queda que o setor vinha apresentando nos últimos meses. “O frio chegou mais cedo e pegou todo mundo de surpresa, o que, para a gente, é bom porque as pessoas procuram mais esses produtos de inverno, que geralmente são pouco mais caros que os de verão”, afirma. De acordo com Nelson, para chamar a atenção dos consumidores e faturar mais, a loja aposta numa disposição diferente dos produtos nas vitrines e na loja, que geralmente são arrumados pelas próprias vendedoras e em promoções.

Entre os produtos mais procurados estão cobertores, mantas de microfibra e edredons, que têm preços entre R$ 19,90 e R$ 244,90. “Essa disposição diferente chama a atenção do consumidor, que, às vezes, entre na loja para olhar um produto, mas acaba comprando mais coisas. Com isso, o valor médio das vendas aumenta, gira em torno de R$ 300 a R$ 350, e a loja consegue se recuperar de um cenário ruim que vem enfrentando”, explica. Segundo o gerente, inflação, juros altos e inadimplência são fatores que impactam negativamente nas vendas. A maioria dos clientes, segundo Nelson, faz as compras parceladas e escolhe o cartão de crédito como forma de pagamento.

O aumento do valor médio das compras tem sido a salvação da lavoura para a loja Grippon, segundo o gerente, Iudes Lima. Segundo ele, além de o movimento ter aumentado em torno de 10% neste mês em comparação ao mesmo período do ano passado, o valor das compras realizadas no estabelecimento também subiu, tendo em vista, exatamente, o preço dos produtos típicos de inverno, que é maior. “Conseguimos aumentar um pouco o faturamento, mas, mesmo assim, ainda estamos apreensivos. As vendas no comércio andam mal e o consumidor perdeu o poder de compra. Eu não fiz estoque para a temporada. Tenho apenas os produtos que estão no salão da loja. Se vir que vai continuar vendendo bem, faço um novo pedido”, explicou.

Fonte: Jornal Estado de Minas

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