Em um cenário adverso para a indústria, com queda nas vendas e na produção, há um segmento que por enquanto desconhece a palavra crise: o de massas e biscoitos. Segundo dados da Associação Brasileira de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães e Bolos Industrializados (Abimapi), apesar da alta média de 8% nos preços dos produtos, a receita do setor deve crescer cerca de 5% este ano.

“Realinhamos nossos preços nos três primeiros meses do ano por causa do aumento da tarifa de energia e dos combustíveis, e por causa da alta do dólar que impactou na cotação do trigo — nossa principal matéria-prima. O Brasil consome 10 milhões de toneladas de trigo. Metade desse volume é suprido pelas importações dos países parceiros do Mercosul, sobretudo da Argentina, que produz de 8 a 15 milhões de toneladas/ano. Quando não há sobra na produção argentina é que o Brasil importa dos Estados Unidos e do Canadá”, afirma Cláudio Zanão, presidente da Abimapi, mencionando que o aumento do trigo têm impacto de 70% nos custos de produção de massas, de 40% nos custos de produção de biscoitos e de 30% nos custos de produção de pães.

“Contudo, os preços devem permanecer estáveis ao longo do ano, a não ser que aconteça um fato novo e imprevisível”, garante. De acordo com o presidente da Abimapi, a alta de faturamento prevista para este ano é mais decorrente desse reajuste de preços da indústria do que do volume de vendas no mercado, que deve repetir o resultado do ano passado. Nos últimos cinco anos, a indústria fabricante de biscoitos e massas do país cresceu 73%, atingindo um faturamento de R$ 32,2 bilhões em 2014 e volume de vendas de 3,37 milhões de toneladas. “Nossas vendas foram alavancadas pelo aumento do poder aquisitivo das classes C, D e E. Os consumidores da classe C são responsáveis por 42% das vendas no mercado doméstico de biscoitos, enquanto as classes D e E correspondem a 36%”, contabiliza.

Segundo Zanão, a capacidade do setor de resistir à crise se deve à boa penetração das massas e biscoitos nos lares brasileiros, apenas 0,4% do total não consome esses produtos. “O Brasil é o segundo maior mercado mundial de biscoitos, perdendo apenas para os Estados Unidos, e o terceiro maior em consumo de massas, ficando atrás apenas da Itália e dos Estados Unidos, respectivamente”, diz. “E apesar do aumento de preços, nossos produtos continuam muito acessíveis. Um pacote de 500 gramas de macarrão rende o bastante para alimentar bem uma família inteira”, defende.

De acordo com dados da Abimapi, o consumo brasileiro per capita de massas e biscoitos é de 17,2 quilos por ano — que o consumo 8,4 quilos de biscoitos e 6,2 quilos de massas. “Ainda há muito espaço para crescer no consumo de massas no Brasil. Nosso consumo per capita é o 20º no ranking mundial. A frequência de compras de massa por semana ainda é muito pequena no país, apesar da diversidade de termos cerca de 40 formatos de massas diferentes no mercado”, afirma, mencionando que há uma barreira cultural que pode ser vencida com a divulgação de receitas e produtos.

Na opinião de Cláudio Zanão, com a inflação em alta e o bolso mais apertado, é possível que as vendas de alguns produtos mais nobres, que vinham crescendo nos últimos anos, desacelerem este ano. “Na área de biscoitos vínhamos observando o crescimento de biscoitos mais caros como cookies e de massas frescas, como ravióli e capelete, que hoje representam 4% do mercado. Mas quando o cenário macroeconômico melhorar, imaginamos que o consumo desses produtos vai voltar a crescer, porque o brasileiro adora experimentar novidades, e quando alguma coisa cai no gosto, dificilmente ele gosta de abrir mão dos produtos”, analisa.

Segundo Fabiana Furquim, líder de indústria da Nielsen, as vendas de massas e biscoitos desaceleraram no início do ano. “Mas o consumidor brasileiro dificilmente abre mão do consumo desses produtos, mesmo daqueles mais caros. Primeiro, ele tenta adquirir esses em canais de vendas com preços competitivos, nos chamados atacarejos. Em seguida, busca adquirir em embalagens econômicas, antes de abrir mão da compra ou de trocar de marca”, conta.

Fonte: Jornal Brasil Econômico

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