Quando o primeiro rascunho do projeto do relógio inteligente da Apple ficou pronto, o CEO Tim Cook e seu time de engenheiros tinham em mente um produto capaz de registrar a pressão arterial do usuário, monitorar os batimentos cardíacos e a saúde da pele. O Apple Watch, que chegou às prateleiras em 10 de abril deste ano, era bem diferente daquele protótipo, mas vai muito além de contar as horas.Seu alvo era mais do que claro: o bilionário mercado da saúde. Tanto que, dos 40 aplicativos com os quais o relógio foi lançado, 22 deles estavam ligados a essa área.

“As grandes empresas de tecnologia estão voltando, sim, suas atenções para o mercado de saúde”, afirma Rob Enderle, fundador da consultoria americana de tecnologia Enderle. “O usuário vê valor em produtos que o ajudem a estar saudáveis, dizem todas as pesquisas feitas por essas empresas.” Saudável, na verdade, deve ser o mercado de tecnologia voltado para saúde. Segundo estudo da consultoria americana Research and Markets, aplicativos e acessórios móveis de saúde vão movimentar globalmente US$ 26 bilhões, em 2017. Mais: devem crescer, em média, mais de 50% todos os anos, até 2020.

“Daqui a dois anos, 50% dos usuários de smartphones terão, ao menos, um aplicativo de saúde ou fitness instalado em seus aparelhos”, diz o estudo da Research and Markets. É por essa razão que, além da Apple, gigantes como Samsung e Nike estão se movimentando para ganhar um espaço nesse mercado. Só o Apple Watch, que faz parte da categoria chamada de “wearables”, aparelhos digitais que podem ser “vestidos” no corpo, devem vender 71 milhões de unidades neste ano, segundo estimativas da consultoria Euromonitor. A previsão é de que 280 milhões de Apple Watch sejam comercializados em 2018.

Mas essa não é a única iniciativa da companhia fundada por Steve Jobs. Neste ano, a empresa lançou duas plataformas voltadas para o desenvolvimento da área: o HealthKit e o ResearchKit. O primeiro auxilia os desenvolvedores a criarem programas que ajudem médicos ou tornem os usuários mais saudáveis. O segundo dá aos profissionais de tecnologia acesso a bancos de dados que reúnem informações sobre doenças e tratamentos. A Samsung, principal rival da Apple no planeta da mobilidade, também não ficou de fora. A empresa coreana dotou seus celulares topo de linha, como o Galaxy S, com a plataforma S Health, que utiliza sensores de seus gadgets, como o relógio inteligente Gear, para medir, por exemplo, batimentos cardíacos.

Os aplicativos de saúde não estão restritos as duas arquirrivais, que lideram o mercado de smartphones globalmente. Pequenas empresas estão conseguindo se infiltrar nessa área. É caso da americana MyFitnessPal, que conta com 75 milhões de usuários. No começo deste ano, ela foi comprada por US$ 475 milhões pela marca de artigos esportivos Under Armour, a mesma que começou a patrocinar a camisa do time de futebol do São Paulo. Esse é um capítulo à parte nesta briga, o que explica o alto valor pago pela Under Armour. Empresas ligadas ao esporte querem associar sua marca a um estilo de vida sadio.

Para isso, lançam uma série de aplicativos que estimulam seus consumidores a praticar atividades esportivas. A americana Nike foi pioneira nessa estratégia, ao se vincular à Apple e a seu popular iPhone com aplicativos de corrida. Hoje, ela conta com uma série de programas e até com uma rede social, no qual os atletas amadores compartilham suas conquistas, como distâncias e tempos. “Quem pratica qualquer esporte quer ter a sua evolução registrada”, afirma Harry Gasiamis, diretor de mobilidade da Garmin, empresa de GPS que também utiliza sua tecnologia para criar dispositivos de fitness.

Como saúde é um assunto universal, sair na frente nesse mercado pode significar vantagem competitiva. É o caso da brasileira SaúdeControle, que reúne dados e resultados de exames de seus usuários. Após apresentar sua ferramenta em uma feira do ramo, em Nova York, a startup recebeu aporte de US$ 5 milhões da americana Softex para levar seus serviços aos Estados Unidos. “A partir dos EUA, vamos estudar o cenário global e pensar em novos locais para a internacionalização”, afirma Adriano Barcelos, cofundador e CEO da SaúdeControle. Outra empresa brasileira que está apostando nessa área é a Doutor Recomenda, criada pela médica Regina Diniz e pela economista Luiza Granado, que tem experiência como executiva no ramo de saúde.

As duas sócias receberam investimentos da aceleradora Aceleratech para criar uma plataforma que funciona em smartphones e tablets e lembra as pessoas dos horários de tomar seus medicamentos. “Depois de um tempo, os pacientes abandonavam o tratamento”, diz Regina, CEO da Doutor Recomenda. “Em nossos testes, antes de lançar o aplicativo, conseguimos aumentar em 40% o número de pessoas que mantiveram o tratamento.” O desafio das duas plataformas brasileiras é convencer o consumidor a pagar pelo aplicativo.. No caso da Doutor Recomenda, o plano é fechar contrato com laboratórios farmacêuticos. O SaúdeControle, por sua vez, faz acordos com grandes empresas, que podem usar os dados da plataforma para monitorar a saúde de seus funcionários.

Fonte: IstoÉ Dinheiro

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