Um dos segmentos mais importantes da economia brasileira, o varejo apresentou em 2014 um crescimento de 1,8% e no primeiro bimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, cresceu 1,93%. Com indicadores econômicos aquém das expectativas menos otimistas, o comércio mostra, no entanto, um faturamento de sustentabilidade razoável em relação a outros setores.

Mesmo com a turbulência econômica, representantes dos supermercados e das drogarias projetam para 2015 um crescimento semelhante ao do ano passado, com a expansão do número de estabelecimentos e o deslocamento do consumo de bens duráveis para o de bens essenciais. “O consumidor não consegue trocar o carro ou fazer um financiamento porque os juros estão mais altos, mas não deixa de comprar um produto de beleza ou um medicamento”, diz Sérgio Mena Barreto, presidente da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias, para quem o setor só será atingido se houver desemprego em massa no Brasil.

Em 2014, o faturamento das vendas de itens de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos chegou a 101,7 bilhões de reais no Brasil, 30% dos quais conquistados a partir de lançamentos. No Brasil, o faturamento avançou 1,9%.  “A crise não é igual para todo mundo e acredito que ela é passageira”, diz Francisco Deusmar de Queirós, proprietário e presidente da rede de farmácias Pague Menos, com aumentos de 18% nas receitas e de 6,3% no lucro em 2014. O crescimento deu-se com a ampliação da abrangência da empresa a partir da abertura de 96 lojas e da contratação de 2 mil funcionários, em um investimento de 120 milhões de reais. Para 2015, a rede planeja investir 150 milhões de reais na abertura de outros 98 pontos de venda.

O primeiro impacto da retração da renda no consumo de bens essenciais é a migração de produtos mais caros para outros mais baratos. O fenômeno ainda não foi sentido nos supermercados e nas drogarias. Para Mena Barreto, a mudança de comportamento que levou os consumidores, ao longo dos últimos 20 anos, a comprar produtos de maior valor agregado no ramo de higiene e cosméticos, como resultado da estabilização da economia e do crescimento da renda, não parece ameaçada. “Ainda lidamos com uma renda estável, sem taxa de desemprego alta”, diz o executivo. A Abrafarma prevê crescimento do setor semelhante ao do ano passado, de 12%, com a abertura de 500 lojas, com a contratação de cerca de 3 mil trabalhadores.

O faturamento dos supermercados cresceu 1,8% em 2014 e 1,93% no primeiro bimestre deste ano em relação a janeiro e fevereiro do ano passado. Segundo João Sanzovo, vice-presidente da associação das empresas do setor, as companhias mantêm os planos de investimento e a previsão para 2015 é crescer 2%, em linha com o ano passado. “Continuamos com necessidade de abrir novas lojas e contratar funcionários. Alguma mudança pode ocorrer em 2016, a depender dos resultados da economia.”

Assim como no ramo das farmácias, os supermercados acompanham com maior preocupação a inflação dos produtos, redutora do poder de compra da população. Segundo a Abras, uma cesta de 35 produtos de maior consumo teve alta de preço de 5,64% em janeiro deste ano em relação ao mesmo mês de 2014. Os produtos de limpeza são um exemplo de itens com alta constante nas vendas, mas incorporam um aumento dos custos relacionados principalmente aos insumos importados e aos gastos com energia. O impacto do preço não deve, porém, afetar as vendas, segundo Maria Eugenia Saldanha, presidente da associação que representa as indústrias do setor, pois o maior estímulo à demanda, a entrega de moradias do programa Minha Casa Minha Vida, será mantido. “Quando o cidadão muda para uma casa nova e compra eletrodomésticos, ele aumenta a sua necessidade de consumo de produtos de limpeza, por isso acreditamos que em 2015 a demanda vai se manter.” Em 2014, o crescimento do volume de vendas foi de 8,5%, com a contratação de 1,5 mil trabalhadores.

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