Furto em supermercado: como evitar e não ter mais prejuízos

Tempo de Leitura: 5 minutos
Furto em supermercado: como transformar perdas em estratégias de prevenção

Sumário

Preocupar com as perdas no varejo alimentar pode parecer um detalhe no meio de tantas preocupações de gestão, mas, nos bastidores, existe um desafio constante: o furto em supermercado. 

Os números mostram que estamos falando de algo muito sério. Segundo a última pesquisa da Associação Brasileira de Prevenção de Perdas (Abrappe), o setor supermercadista registrou um aumento de 11,53% nas perdas totais em 2024. 

A mais recente pesquisa revelou ainda que, embora a média de perdas no varejo tenha recuado para 1,51% em 2024, o prejuízo ainda é gigantesco: algo em torno de R$ 36,5 bilhões.  

No caso do varejo alimentar — que abrange hipermercados, supermercados, atacarejos, lojas de conveniência e de vizinhança — o cenário é ainda mais preocupante. O índice médio de perdas saltou de 1,91% para 2,39% em apenas um ano, uma alta de 25%. 

De acordo com Carlos Eduardo Santos, presidente da Abrappe, o avanço se explica principalmente pelo aumento de furtos, fraudes em caixas e falhas nos processos internos. Realmente é preocupante e é sobre isso a conversa de hoje. Vamos trazer dicas práticas para enfrentar de frente o problema do furto em supermercado e, ao mesmo tempo, construir operações mais seguras, inteligentes e eficientes.

Como o furto em supermercado acontece 

É fato que estatísticas nos fazem questionar como um segmento tão estratégico, que lida diariamente com milhões de consumidores, ainda pode deixar escapar tanto valor por entre as mãos.

E como transformar essa vulnerabilidade em uma oportunidade de repensar processos, investir em tecnologia e treinar equipes? Antes de pensar em como reforçar a segurança, é preciso dar um passo atrás: compreender por que o furto em supermercado acontece. 

Existem diferentes perfis de furtos e alguns são ocasionais: pessoas que aproveitam uma oportunidade momentânea. Outros são reincidentes, muitas vezes parte de quadrilhas especializadas. E há ainda os casos internos, cometidos por funcionários que, por diferentes razões, acabam desviando mercadorias.

Os métodos também variam: 

  • Ocultação de produtos em bolsas, roupas ou carrinhos de bebê. 
  • Troca de etiquetas, comum em carnes e frios embalados. 
  • Consumo dentro da loja, seguido do descarte da embalagem. 
  • Carrinho de dois andares, em que o andar inferior fica “esquecido” de propósito. 
  • Até mesmo embalagens recheadas, quando alguém coloca produtos menores dentro de caixas maiores. 

Já entre os funcionários, práticas como contagem incorreta, violação de embalagens e peso adulterado também aparecem com frequência. Isso quer dizer que o furto em supermercado não é um problema isolado, mas um compilado de situações que exigem um olhar atento e multifatorial do varejista. 

Primeiro passo contra o furto em supermercado

Antes de adotar qualquer medida, o lojista precisa entender onde estão as brechas na loja. Nesse contexto, entre o primeiro passo para combater o furto em supermercado, os relatórios de gestão. 

A análise de relatórios ajuda o lojista a identificar quais produtos são mais furtados, além disso em quais dias ou horários os furtos acontecem com maior frequência e se existem variações entre uma loja e outra (no caso de redes). 

Essa análise ainda permite que as ações de prevenção sejam personalizadas. Talvez em uma unidade o maior problema esteja no setor de bebidas, enquanto em outra o desafio seja com carnes e frios. 

A palavra de ordem aqui é visibilidade. Sem ela, o furto em supermercado se torna uma dor invisível, difícil de medir e ainda mais difícil de combater.

Investimento em tecnologia 

Se antes as câmeras de segurança serviam apenas para registrar imagens que poderiam ser consultadas depois de um incidente, hoje o cenário é outro. 

Com a evolução da visão computacional, elas se transformaram em verdadeiros sensores inteligentes. Além de registrar, analisam padrões, identificam comportamentos suspeitos e até ajudam a mapear o fluxo de clientes na loja. 

Isso significa que o investimento em tecnologia não é apenas uma questão de segurança, mas também de gestão estratégica quando o objetivo é coibir furto em supermercado.  

A partir desses dados, o varejista pode melhorar o layout da loja, prever gargalos operacionais e até ajustar a equipe nos horários de maior movimento. 

E quando falamos em furto em supermercado, essa inteligência faz toda a diferença. Afinal, quanto mais cedo o comportamento suspeito é identificado, menor a chance de perda efetiva. 

Monitoramento constante

E também não basta só instalar câmeras, é preciso garantir que haja sempre alguém monitorando em tempo real. Essa é a diferença entre registrar uma perda e prevenir que ela aconteça. 

Outra inovação que vem ganhando espaço é o self-checkout. À primeira vista, pode parecer uma vulnerabilidade, já que o próprio cliente faz a leitura dos produtos. Mas, na prática, o sistema de balança integrado ajuda a identificar inconsistências, como trocas de etiquetas ou embalagens adulteradas. 

Mais uma vez, a tecnologia se mostra aliada no combate ao furto em supermercado. 

O papel do treinamento na prevenção de furtos 

Outro ponto fundamental é o treinamento de equipes. E aqui não nos referimos apenas à equipe de segurança, mas também a operadores de caixa, repositores e até gestores. 

Um operador de caixa atento é capaz de identificar quando um item “esquecido” no carrinho inferior não foi registrado.  

Um repositor pode perceber embalagens violadas nas prateleiras. Já os seguranças precisam estar preparados para acompanhar imagens de monitoramento e, sobretudo, saber como abordar um cliente suspeito sem expor a loja a riscos jurídicos. 

O furto em supermercado é um problema coletivo e, portanto, exige uma solução coletiva. Quando toda a equipe entende sua responsabilidade nesse processo, o índice de perdas tende a cair de forma consistente. 

Layout da loja como inimigo 

Muitas vezes, o problema não está apenas no comportamento do cliente, mas também no layout da loja.  

Produtos de alto valor colocados em áreas de difícil vigilância se tornam alvos fáceis. Expositores mal posicionados criam pontos cegos para as câmeras, enquanto corredores estreitos dificultam a movimentação da equipe de segurança. 

Por isso, rever o layout com o olhar da prevenção de perdas é uma medida estratégica. Em alguns casos, mudanças simples, como instalar espelhos em pontos estratégicos ou reorganizar prateleiras, já reduzem significativamente os riscos de furto em supermercado. 

Como abordar um suspeito? 

Essa talvez seja a parte mais delicada. Afinal, acusar alguém injustamente pode gerar danos irreparáveis à reputação da marca, além de processos judiciais. Mas algumas regras básicas podem ajudar nessa tarefa: 

  • Ter indícios claros antes da abordagem 
  • Não perder o suspeito de vista até a saída da loja 
  • Fazer a abordagem de forma respeitosa e em local reservado, com testemunha presente 
  • Acionar a polícia quando houver confirmação do furto 

Quando o caso envolve funcionários, o cuidado deve ser ainda maior. A recomendação é sempre agir com cautela, preservar provas e garantir que todo o processo seja documentado. 

Expor furtos nas redes sociais, posso? 

Por falar em cautela, tem sido muito comum a divulgação de vídeos de furtos nas redes de grandes redes varejistas. É um tipo de conteúdo que gera engajamento, desperta curiosidade e parece funcionar como forma de dissuasão do crime de furto em supermercado. 

Mas expor esse tipo de crime fere a Constituição Federal, o Código Civil e até a LGPD, quanto à proteção da imagem e a honra das pessoas expostas. Isso significa que publicar imagens de suspeitos sem julgamento pode se transformar em um problema jurídico muito maior do que o próprio furto em supermercado. 

Se a ideia for alertar o público, o mais recomendado é adotar uma linguagem neutra, sem expor rostos ou dados pessoais. O foco deve estar na conscientização, não na exposição.  

A sugestão é: quer divulgar? Borre tudo o que puder identificar o envolvido. Se for menor de idade, o cuidado deve ser redobrado, respeitando o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).  

Mais que vigiar, um investimento 

No fim das contas, o maior aprendizado é que segurança no varejo não deve ser encarada apenas como gasto, mas como investimento em inteligência. 

Cada dado coletado pelas câmeras, cada informação registrada nos relatórios, cada treinamento realizado com a equipe contribui para criar um ambiente mais seguro e, consequentemente, mais rentável.

Prevenir o furto em supermercado não é apenas evitar perdas, mas garantir que o cliente honesto se sinta respeitado, que a equipe trabalhe em paz e que o negócio sofra o mínimo de prejuízos possível.  

Até a próxima!

  • Conteúdo desenvolvido pela Universidade Martins do Varejo – UMV.

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