Jovem aprendiz no varejo é oportunidade de crescimento

Tempo de Leitura: 5 minutos
jovem aprendiz no varejo: como transformar a lei em oportunidade de crescimento

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Gostamos de olhar para o varejo não apenas como um setor que vende produtos, mas como um espaço que forma pessoas. E poucas iniciativas traduzem tão bem esse papel social quanto o programa jovem aprendiz.

Pois aqui estamos falando de impacto social, renovação de equipes, formação de talentos e até estratégia de longo prazo para o negócio. Sim, cumprir a lei é fundamental. Mas reduzir o programa a uma exigência trabalhista é perder uma oportunidade enorme de crescimento humano e empresarial. 

Por isso, neste artigo, vamos trazer dados recentes do mercado de trabalho e, principalmente, mostrar por que contratar um jovem aprendiz pode ser uma das decisões mais inteligentes que um empresário pode tomar.

Jovem aprendiz e o mercado de trabalho 

Dados divulgados em abril de 2025, pelo Ministério do Trabalho e Emprego, mostram um movimento importante: o número de jovens de 14 a 24 anos ocupados no Brasil cresceu de forma expressiva no último trimestre de 2024. 

O país registrou 14,5 milhões de jovens ocupados, superando inclusive os números de 2019, período pré-pandemia.  

Além disso, a taxa de desemprego entre jovens caiu de 25,2% para 14,3%, enquanto a informalidade recuou de 48% para 44%. Entre os jovens ocupados, 53% possuíam vínculo formal, com carteira assinada. 

Esses números mostram um mercado mais aquecido, mas também revelam desafios. Metade dos jovens com carteira assinada está concentrada em apenas 15 ocupações, muitas delas com tarefas repetitivas e alto potencial de automação. Além disso, 67,1% recebem salários abaixo da média nacional. 

O que isso significa para o empresário? 

Significa que o jovem aprendiz não é apenas porta de entrada para o trabalho. Ele pode ser um caminho estruturado para qualificação real, evitando que esses jovens fiquem presos a funções repetitivas sem perspectiva de crescimento. 

Ou seja: a empresa que investe em jovem aprendiz não apenas cumpre uma cota, ela contribui para transformar estatísticas em histórias de evolução. 

O que diz a lei do jovem aprendiz? 

O programa jovem aprendiz é regulamentado pela Lei nº 10.097/2000, conhecida como Lei da Aprendizagem, atualizada pelo Decreto nº 11.061/2022. 

A legislação determina que: 

  • É proibido o trabalho a menores de 16 anos, salvo na condição de aprendiz, a partir dos 14 anos;
  • Empresas de médio e grande porte devem contratar aprendizes em número equivalente a 5% a 15% dos trabalhadores cujas funções demandem formação profissional;
  • O jovem precisa estar matriculado em curso de aprendizagem em instituição credenciada, como Senac, Senai, Sesc, entre outras.

Vale reforçar que microempresas (ME), empresas de pequeno porte (EPP) e entidades sem fins lucrativos não são obrigadas a cumprir a cota, mas podem contratar jovem aprendiz se desejarem.

E aqui vai uma provocação: mesmo sem obrigação, por que não enxergar o jovem aprendiz como investimento estratégico?

Quem pode ser jovem aprendiz? 

Para participar do programa, o candidato precisa: 

  • Ter entre 14 e 24 anos (exceto pessoas com deficiência, que não têm limite máximo de idade);
  • Estar matriculado e frequentando a escola, caso ainda não tenha concluído o ensino médio;
  • Estar inscrito em curso de aprendizagem;
  • Ter disponibilidade para cumprir a jornada estabelecida.

O contrato pode durar no máximo dois anos. Após esse período, a empresa pode optar por encerrar o vínculo ou efetivar o jovem como colaborador CLT.

Essa limitação de tempo, na prática, estimula algo muito saudável: planejamento. O empresário sabe que está formando alguém. E o jovem sabe que precisa aproveitar a oportunidade. 

E os direitos do jovem aprendiz? 

O jovem aprendiz tem carteira assinada e direitos trabalhistas específicos. A jornada é de até: 

  • 6 horas diárias (30 horas semanais) para quem ainda estuda.
  • 8 horas diárias para quem já concluiu o ensino médio.

Não é permitido

  • Hora extra 
  • Trabalho noturno (entre 22h e 5h) 

O salário é proporcional às horas trabalhadas, nunca inferior ao salário mínimo por hora. Entre os direitos garantidos ao jovem aprendiz estão: 

  • Férias remuneradas + 1/3 constitucional 
  • 13º salário 
  • FGTS com alíquota reduzida de 2% 
  • Vale-transporte 
  • INSS 

Dentro da modalidade, não há pagamento de multa de 40% do FGTS ao fim do contrato, nem aviso prévio, o que reduz encargos para a empresa. Mas, novamente, gostamos de reforçar: o maior benefício não é o financeiro. É a formação dos futuros talentos no mercado de trabalho.

Por que contratar jovem aprendiz é estratégico?

No varejo, enfrentamos dois desafios constantes: rotatividade e dificuldade em encontrar profissionais já preparados. O programa jovem aprendiz ajuda justamente nesses pontos. 

Primeiro, porque permite formar o colaborador desde o início, alinhando valores, cultura e padrão de atendimento. 

Segundo, porque traz diversidade geracional. Jovens chegam com energia, domínio digital, criatividade e novas perspectivas. Em um ambiente competitivo, isso é ouro. 

Ter um jovem aprendiz na equipe pode significar:

  • Renovação de ideias;
  • Apoio em períodos sazonais (como Black Friday e Natal);
  • Formação de futuros líderes;
  • Fortalecimento da imagem da empresa como socialmente responsável.

E existe algo ainda mais poderoso: muitos jovens aprendizes, quando efetivados, tornam-se profissionais extremamente comprometidos porque enxergam na empresa a primeira oportunidade real de crescimento.

Jovem aprendiz e responsabilidade social 

Vivemos um momento em que consumidores valorizam marcas com propósito. Contratar jovem aprendiz é uma forma concreta de exercer responsabilidade social empresarial. Não é discurso, é prática. 

Os dados mostram que o número de jovens que não estudam nem trabalham, os chamados “nem-nem”, caiu para o menor nível dos últimos 12 anos. Ainda assim, milhões permanecem nessa condição, especialmente mulheres jovens que ficam em casa cuidando da família. 

Quando a empresa abre espaço para o jovem aprendiz, ela:

  • Contribui para reduzir desigualdades;
  • Incentiva permanência na escola;
  • Promove inclusão produtiva;
  • Ajuda a romper ciclos de vulnerabilidade.

Jovem aprendiz pode trabalhar online? 

Sim. A legislação não proíbe o trabalho remoto ou híbrido para jovem aprendiz, desde que sejam respeitadas todas as regras de jornada e acompanhamento.

Para empresas com operações digitais, e-commerce ou áreas administrativas, essa pode ser uma excelente alternativa. No entanto, é importante garantir supervisão adequada e alinhamento com a instituição formadora. 

Vale a pena contratar jovem aprendiz? 

Se a resposta for formar pessoas, a resposta é sim: vale muito a pena contratar jovem aprendiz. Os benefícios para a empresa incluem: 

  • Menores encargos trabalhistas;
  • Formação de talentos sob medida;
  • Redução de risco em processos trabalhistas (quando as regras são seguidas);
  • Fortalecimento da cultura organizacional;
  • Imagem positiva perante clientes e comunidade.

Mas, o principal retorno é intangível – ver um jovem crescer profissionalmente dentro da sua empresa e, muitas vezes, ser mais uma fonte de renda complementar para a família em situação de vulnerabilidade social. Afinal, muitos ingressam no programa justamente pensando em ajudar em casa, de alguma forma. 

Como implementar o programa na sua empresa

Se você nunca contratou jovem aprendiz, o caminho é mais simples do que parece. Veja a seguir os primeiros passos:

  1. Verifique se sua empresa está obrigada a cumprir a cota legal;
  2. Procure uma instituição formadora credenciada;
  3. Defina áreas adequadas para aprendizagem;
  4. Prepare líderes para orientar e acompanhar;
  5. Estruture um plano de desenvolvimento interno.

O sucesso do jovem aprendiz depende muito do acompanhamento. Não é apenas “colocar para ajudar”. É ensinar, orientar, dar feedback. Quando existe acompanhamento real, o programa se transforma em escola prática. 

Além disso, entenda que o programa jovem aprendiz não deve ser visto apenas como cumprimento da legislação. Ele é ferramenta de transformação.

Em um mercado que ainda concentra jovens em funções repetitivas e com baixo salário, oferecer formação estruturada é contribuir para um futuro profissional mais qualificado. 

Para o varejo, que é porta de entrada para milhares de trabalhadores, o impacto é ainda maior.  Se você ainda não revisou sua política de contratação de jovem aprendiz, talvez este seja o momento. 

Até a próxima!

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